As obras de Pessotti são submetidas a um processo de soterramento durante sua construção. A tela é preparada sobre uma base rígida e recebe camadas de matéria. Antes da secagem, pedras, tecidos, madeiras e outros elementos são colocados sobre a superfície e pressionados contra ela. A obra permanece soterrada durante o processo de secagem.
Depois, tudo é retirado. Os elementos que exerceram pressão desaparecem, mas as marcas permanecem. O soterramento produz relevos, depressões e irregularidades que passam a constituir a própria superfície da pintura.
A partir desses vestígios, Pessotti continua a obra. Cobre, acumula, retira, evidencia ou transforma partes da superfície até decidir encerrá-la.
Os elementos desaparecem. A pressão permanece. O que vemos é uma superfície posterior ao acontecimento.
